O Vírus Socialista

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Por Edgardo Costa Madeira
O Vírus acercou-se da nossa Região com rematada mansidão;

Amarrecado e muito queixoso encaminhou-se, abalsado numa mala de cartão, rosa numa mão, coração noutra mão, punho cerrado transitoriamente encerrado no alçapão…

Vinha para os sem cartão partidário, vinha para os independentes e os defessos…

Vagava numa voluptuosa ondulação de cariz guterrista, na verdade, do inconsequente início uma insensata desgovernação, mas que, ainda em estado de graça – pois tudo prometia como de graça – rendia a Comunicação Social nacional, arrivista, ainda e a todo o custo anti-cavaquista…

Eram os tempos das novas antenas parabólicas, de quando os canais de televisão privados eram novos e muitos dos eleitores de agora ainda não haviam nascido, os que cresceriam sem nesta Região conhecerem outra realidade reinante que não a do todo ocupante e soçobrante Partido Socialista…

Nestes idos anos noventa (do século XX …) tudo se conjugava e encanava como vento para que a supostamente alternativa imparcialista se instalasse, pois que docemente catapultada pelos gentis sopros de reconciliadoras benevolências, compreensivas tolerâncias, outorgantes dialogares… Vinha ao bom Povo Açoriano rogando por uma tal de democrática alternância, que lhe concedesse o favor de se remedirem ora eles outros, uma vez que os anteriores já demasiado se haviam remediado… Porfiava que com os de então vigorava um ainda cinzento e rigoroso mês de Março; que o solarengo, esperançoso e tão risonho Abril só desabrochar-se-ia plenamente com eles outros, os ungidos da melhor cultura, os mais esclarecidos, os transparentes, os incorruptíveis, os não dissimulados, os não autoritários, os não intransigentes…

Não eles… Jamais eles seriam regressivos, jamais seriam lesivos, opressivos, agressivos… E os Açores sairiam do crivo do atraso estrutural, iriam ser mais do que modernos, pois que finalmente e igualmente haveria de se distribuir, sem ocaso nem aceção de credos ou pudores, um bodo de mais do que modernas comodidades, fortuna e felicidade para todos … Os ingratos, apenas, teriam do que reclamar …

Obtida a graça, primeiro, passou-se por um período de incubação designado de governo sem varonia absoluta – não apresentava sintomas despotistas ou especialmente nocivos então… Carecia, ainda, de um portador ingénuo, de algum pequeno e piedoso partido ciente e fidelizado da jovem tradição de que governaria quem nem que por mais um voto ganhasse… Algo que cairia quando interesses mais avantajosos se alevantassem…

Passado um quartel de século, o vírus encontra-se viçoso, viscoso e se auto-recomenda. Afirma que o tempo é relativo uma vez que, quando relativamente a si mesmo, todo o tempo é ainda pouco.

Revela-se imune, portanto, a éticas noções de alternância, rotatividade, mérito, necessidade imperiosa da realidade, consideração isenta dos contributos do outro, não usurpação, como de coisa sua, do que pelo outro já proposto, et cetera…

Igualmente considera que se estender e controlar todas as áreas e instâncias possíveis da sociedade não produz qualquer asfixia política, uma vez que ocupa igualmente o lugar do ar puro e tudo o que controla se torna belo, impoluto, puro.

Estamos, portanto, em vista de um vírus que pretende ocupar-se da própria vida…

Por outro lado, nesta Região, ainda há quem acredite que o ideal da justa Autonomia ainda não se cumpriu e que mais não se cumpre por interesses instalados que, por via de assistencialismos, subsidiarismos, comodismos e outros tantos vis, versados e versáteis artificialismos, e, afinal, tirando todo o partido de um antigo atavismo nosso, encobrindo vão o verdadeiro horizonte açoriano e arrestando o verdadeiro avanço e Autonomia do nosso Povo.

 

Edgardo Costa Madeira,

a 13 de Março de 2020 em Vila Franca do Campo.

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